Sobre o papel do jornal de papel

Foi publicado no Diário Catarinense deste sábado (22/06/2013) um texto meu sobre a Cultura Digital nas manifestações. Escrevi principalmente sobre o caso do Movimento Passe Livre.

Vou aproveitar a auto-clipagem/promoção pessoal para propor um debate para o povo da comunicação (e afins) de Florianópolis.

2013-06-22 14.24.21

Os momentos de grandes mobilizações sociais são os mais ricos para a reflexão sobre o papel da imprensa na sociedade. Principalmente, em uma época na qual a informação se torna pública pelas próprias fontes em seus perfis nas redes sociais da internet. A mídia televisiva merece um artigo específico, tamanho seu vulto e influência no país. Mas achei oportuno trazer para cá uma conversa que a Fernanda Amaral está tendo comigo e outras pessoas para um livro sobre os caminhos do jornalismo impresso. Antes, preciso confessar que  tenho em minhas mãos o jornal Notícias do Dia de sexta (21/06) e o Diário Catarinense de sábado (22/06). Por várias questões, não tenho o hábito da leitura de jornais. Fico informado sobre o mundo através da  internet, pela televisão (telejornais e programas específicos) e, é claro, acompanhando as mídias sociais.

O principal motivo do distanciamento dos jornais impressos é o tempo. A notícia, mesmo que bruta e sem tratamento nenhum, chega na rede quase instantaneamente. Se não estiver no campo das catástrofes ou relevância para a mídia de massa, pode ir tanto para o rádio quanto para a tv horas depois. Só no dia seguinte é que a notícia ganha a sua versão impressa.

Daí a minha tese, de que, em pouco tempo, literalmente, o papel do jornalismo impresso será o de promover o espaço para a reflexão mais aprofundada, para ser lida em pausa, já que o hard news está na internet.

Vejamos o caso específico do #ProtestoSC, sob a ótica de dois jornais locais: O Notícias do Dia fez uma edição especial inteiramente voltada para as manifestações em Florianópolis. Com direito a um cronograma dos acontecimentos sobre a maior manifestação (até agora) na capital do estado, ocupando as duas pontes que ligam à Ilha de Santa Catarina ao Continente.

O resultado final ficou interessante, e pode ser guardado como prova destes dias para os nossos netos, que perguntarão mais sobre a utilização do papel impresso do que sobre as manifestações. Mas tudo bem. Senti falta de análises mais elaboradas sobre as tentativas de apropriação de um movimento, inicialmente progressista, por ativistas de causas conservadoras.

É importante destacar o papel do Notícias do Dia na cobertura dos movimentos sociais nos últimos anos, com ênfase na área cultural, que, pela natureza mais complexa das suas demandas, sempre ganhou muita atenção. E é sobre o tipo de atenção dos cadernos de cultura que vou me ater em breve.

Já no Diário Catarinense (DC), também senti falta de uma avaliação mais apurada sobre o oportunismo de alguns nas manifestações. O destaque vai para o artigo de opinião do grupo RBS, dono da publicação, que abordou as três medidas práticas declaradas pela Presidenta Dilma Rousseff, em seu pronunciamento televisivo (em 21/06): os royalties do Petróleo para a Educação, Plano Nacional para o Transporte Público e a vinda de médicos do exterior, ressaltando o “combate à minoria violenta e autoritária” , sem citar, o que, na minha modesta opinião, é o ponto mais forte da fala da Chefe Maior do Executivo: A Reforma Política.

O DC também definiu a passeata como “multipartidária”, o que me parece um termo mais acertado do que “apartidária”. É uma massa muito diversa para se chamar de “A” alguma coisa.

Enfim, chego ao ponto pretendido para reflexão: é sintomático que os únicos textos que continham críticas à própria imprensa estejam no caderno de Cultura do DC. É ali que se fala do ativismo digital, e também sobre a memória de um movimento social que praticamente nasceu em Florianópolis. O assunto é apresentado claramente no texto do Fernando Evangelista e ganha uma importante reflexão de Celso Vicenze. Diante da velocidade da internet, não caberia aos Jornais e Revistas, enquanto prioridade, serem o suporte da reflexão e análise?

Ou será que estou viajando na batatinha?

Já me desculpando, de novo, pelos possíveis julgamentos tortos de alguém que não acompanha a mídia impressa como as demais (as quais tecerei um artigo específico e mais arrumadinho que este), ressalto que minha principal pretensão com estas mal traçadas linhas é descobrir quantos nerds resistem a um sabadão ensolarado em Floripa em dia do jogo do Brasil. Além disso, também quero registrar um agradecimento pelo convite do Marcos Espíndola, sempre atento nas barricadas, para escrever no tablóide.

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1 Comentários.

  1. O Alexandre Gonçalves enviou um post interessante sobre a experiência do Notícias do Dia com as mídias sociais na cobertura das manifestações. Recomendo: http://blog.colunaextra.com.br/2013/06/um-jeito-diferente-de-usar-o-storify-na.html

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