Dia Nacional da Luta Antimanicomial: Liberdade ainda que Tam, Tam!

O Dia Nacional da Luta Antimanicomial – 18 de Maio foi definido durante o Encontro dos Trabalhadores da Saúde Mental em 1987 na cidade de Bauru (SP) para marcar uma data de mobilização nacional por uma sociedade sem manicômios. Em Belo Horizonte (MG) as atividades relativas ao “18Tão” acontecem desde 1997, só que no formato de carnaval.

Organizada pelo Fórum Mineiro de Saúde Mental e pela Associação dos Usuários dos Serviços de Saúde Mental de Minas Gerais - ASUSSAM, a edição de 2012 da manifestação-desfile da Escola de Samba Liberdade Ainda Que Tam Tam apresentará o tema: “SUS Tentar a Diferença: Saúde não se Vende, Gente não se Prende”.
O objetivo é reafirmar o direito à vida em plenitude e sustentar os princípios do Sistema Único de Saúde – SUS, considerando a amplitude do seu conceito com direitos como ao trabalho, lazer, moradia e cultura.

O SARCASTiCOcomBR está participando da II Edição da Casa Macunaíma – Sinais de outra comunicação, ação de cobertura compartilhada do do 18TÃO de maio. Acompanhe por aqui e pelo endereço eletrônico http://mobile.skarnio.tv/tag/18tao.

Escute o Samba-enredo da Escola de Samba Liberdade ainda que Tam, Tam!
 

Outras informações sobre a luta antimanicomial em Belo Horizonte: http://antimanicomialbh.blogspot.com.br

O que acontece quando a Bancada Fundamentalista se une com a Bancada Ruralista?

Sabe o que mais se ouviu da imprensa catarinense esta semana?

“A prioridade é o show do Paul”

Futebol enquanto microcosmo de tudo

Uma crônica sobre o jogo Chelsea vs Barcelona, de 18/04/2012

Quando assistimos a um jogo feito este Chelsea vs Barcelona pela Liga dos Campeões da Europa, damos com a certeza de que o esporte é um microcosmo das pessoas, da sociedade e do que compreendemos por cultura. Por ser um esporte coletivo, essa impressão social é ainda mais presente no futebol, atraindo apaixonados em todo o mundo, tornando as pessoas até um pouco mais irracionais (quando a violência aparece dentro e fora de campo) e proporcionando ao capitalismo seu sucesso ideológico mais inesperado.

São posicionamentos distintos o que percebemos nas equipes, uma inglesa e a outra espanhola. Enquanto esta, o Barcelona, é aclamado mundialmente como o clube com o melhor acerto técnico entre os jogadores, aquela, o Chelsea, tem sua eficiência reduzida no comparativo, mas joga contando com o inesperado, pois toda narrativa só se faz em linha reta nas aparências. Destarte que, qual dois empreendimentos capitalistas, temos lá a Grande Rede Varejista Barcelona que tem seus consumidores cativos, mas que, nalguns momentos, padece das variações de mercado (os próprios jogadores, o adversário em questão, o palco da batalha). Já a Empresa Emergente Chelsea tem, inegavelmente, qualidades que a fizeram estar ali entre as grandes, mas sabe que precisa se estruturar ainda mais para conseguir o selo de certificação – e contar com alguma falha dos grandes. E o inesperado surge rápido feito um contra-ataque, justamente no último minuto do primeiro tempo. Num erro de posicionamento, a qualidade técnica do Barcelona é suplantada pela agilidade (e até mesmo uma capacidade de adaptação – coisa assim meio darwiniana) do Chelsea, abrindo o placar da partida com o chute certeiro do Drogba.

Como nos países ricos que importam o melhor dos outros países, assim também acontece com os clubes de futebol, principalmente as equipes da Europa que possuem grandes investidores. Não por acaso o bilionário russo Roman Arkadyevich Abramovich é dono do Chelsea e o Barcelona possui o maior patrocínio da história do futebol através da Qatar Foundation. Com tanto dinheiro, fica mais fácil comprar o passe de jogadores talentosos, o que já é uma constante dos clubes europeus há algumas décadas. O fato do único gol da partida ter sido oriundo de um lançamento do inglês Lampard para o brasileiro Ramires, que presenteou o marfinense Drogba na cara do gol, indica não apenas uma óbvia globalização do esporte (e de todo o resto), mas ainda sugere que os sistemas (o esporte, a economia, a política, o capitalismo…) são tão contraditórios quanto imprescindíveis para serem validados pelas pessoas. De que outro modo uma organização tão poderosa quanto Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) cresceria a tal ponto de um Estado soberano, como parece ser o Brasil, direcionar suas atenções para um evento esportivo que dura pouco mais de um mês, caso da Copa do Mundo de 2014? A FIFA chega a ter mais associados que a Organização das Nações Unidas (ONU), para se ter uma ideia da relevância desta celebração futebolística que é realizada a cada quatro anos. E já estamos sentindo o impacto das ações voltadas à realização da Copa, com estádios superfaturados, operações que visam diminuir a violência nas grandes cidades, os interesses políticos e econômicos que gastam tempo a indagar se os torcedores poderão ou não beber cerveja nos estádios quando dos jogos entre nações, entre outras situações dignas de suas próprias crônicas.

Se o melhor time do mundo atualmente perde um jogo como neste Chelsea 1 x 0 Barcelona, podemos questionar as unanimidades construídas culturalmente até o ponto em que nós mesmos entraremos em campo e, assim, faremos algo a respeito, seja lá o que for.

 

> Não temos fotos da partida, pois o enviado internacional do Sarcástico na Europa foi confundido com um hooligan e deportado para o Brasil.

 > Florianópolis/SC, 18 de Abril de 2012.

Desencefalia